segunda-feira, 30 de março de 2015

Silêncio


Psiuuuuu......

Quero falar do silêncio. Quero quebrar o silêncio que gira em torno do silêncio.
Quero silenciar conceitos, gritar que não quero!
Não, eu não quero gritar mais. Não é mais tempo de excessos.
Desde de Delphos não o é, mas teimamos, desobedecemos o oráculo, as leis, as regras, as normas.
Por que a enfermeira com o dedo indicador atravessa os lábios, e atravessa corredores de hospitais?
Necessário?
Por que o professor precisa pedir silêncio?
Não se está lá para ser ouvido?
Muitos não sabem, e não sabem que não sabem.
Por que o silêncio não pode fazer parte da festa, do dialogo, dos encontros, do namoro, do amor?
Por que não deixamos o silêncio presentificar e o interrompemos com frases tolas;
Nossa! Você viu aquilo?? Será que chove hoje? Quer água? Café? Algo?
Muitos não o suportam.
Por que chegar em casa e expulsá-lo?
Ele que ficou nos aguardando ali solitário o dia todo.
Ligamos a tv, o rádio, o celular, os cambau.
Ligamos qualquer coisa pra não nos ligarmos em nós.
Nossa carência não o suporta e muitos a cultivam.
Quero, como cantou Elis, o silêncio das línguas cansadas.
Muitas vezes acordo no meio da noite, não como Bilac para ouvir e entender estrelas, mas para ouvir o silêncio.
Quero essa magia. Não sempre, mas quero!
Quero mergulhar no silêncio e descobrir minhas verdades.
Quero que ele possa existir em minha vida junto com as conversas animadas, com o choro.com a música, porque como dizia Aldous Huxley; depois do silêncio, o que mais se aproxima de expressar o inexpressível é a música.

sábado, 7 de março de 2015

Cinza X Rosa





Não gosto, não vi, não vou verificar pra ter minha opinião, pois já tenho!
É pra isso que servem as conversas, os bate papos ( eu já não sei mais o que tem e o que não tem hífen...).
Numa época em que tantos, tantas lutam pela integridade da mulher, há os aloprados, os sem noção, os equivocados que fazem exatamente o contrário.
E na contra mão desse caminho de buscar a defesa de um ser humano digno, surge esse filminho; 50 tons de cinza!
Faça-me o favor!!!
Você que é mulher: Pense! Reflita!
Pagar pra ver uma mulher naquelas condições??!
E eles ainda sugerem que haverá o número 2 ( acho sugestivo...)
Tanto se caminhou para agora, ver mulheres sentadas confortavelmente instaladas em salas de cinema assistindo novamente a mulher se curvar, se submeter, ser vilipendiada. E...Recomendar!
Parando!!!
Há anos que aproveito essa data para minha "Não Comemoração".
Co memorar. Eu que sou amiga das palavras, lembro que comemorar é memorar junto.
Mas lembrar juntas de quê?
Funk. Big Brother. etc, etc, etc...
Poucas, pouquíssimas conquistas.
E agora isso?
Não dá!
Tomara que nó próximo ano eu me reveja! 
Tomara que esse cinza seja tingido de rosa choque ( aquele da Rita Lee -
Viva Rita Lee - porque algum viva eu preciso dar.)

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Amar ao Próximo como a Si mesmo.


                        





Mestre Jesus nos deixou um ensinamento, um conselho, uma orientação; uma Lei
                                    Ama a teu próximo como a ti mesmo!
A princípio nos parecer fácil, como muitas coisas que nos parecem simples à primeira olhadela.
Não é!
Amar ao próximo como a si mesmo é primeiro amar a si mesmo, já que esse simesmo de que nos fala Jesus é referência.
E aí começa a complicação...
Amar a mim quando cresço ouvindo que isso é egoísmo?
Amar a mim quando soa autismo nessa sociedade patologicamente envolvida com a neurose?
Amar a mim mesmo quando erro, quando não sou modelo, quando não gabarito, quando não correspondo a anseios, vontades, desejos?
Amar a mim quando erro e às vezes, por mais que me ensinem, aconselhem, orientem, eu volto a errar o mesmo erro?
Amar a mim quando não me amam, ou até por causa disso mesmo?
Amar a mim quando nem sei de mim?
Quando fugi de mim, me rejeitei e nem sei onde me encontrar mais?
Amar a mim mesmo é um exercício intenso, constante, sutil, desafiador e não uma atitude natural.
Aliás natural, mas a sociedade destrói a Natureza ao invés de interagir com ela, como seria recomendável.
E, se essa primeira parte não é simples, imagine a segunda: Amar ao Próximo!
Quem é esse próximo?
O que está ao lado, no mesmo sítio, no mesmo time, do mesmo sangue?
Bom... se for esse já é bem difícil, sabemos!
Evoca nossas habilidades, nossos instrumentos, nossas emoções e sentimentos mais profundos que necessitam de afinação.
Mas, e se o Mestre quis referir-se ao próximo do momento?
Ao caixa mal humorado do supermercado?
Ao vizinho que grita?
À tia intrometida?
Ao filho que afronta?
À mãe que não me compreende?
Ao namorado que mente e machuca?
À amiga que nos negligencia?
Ao motorista que nos fecha?
Hã?
Puta treino!
Puta exercício!
Puta desafio!
Mas Jesus disse que Toda Lei e os Profetas dependem desses dois mandamentos, e que eles são os maiores.
Então?
Então? Bora exercitar, cara!

sábado, 20 de dezembro de 2014

Feliz Natal


Tenho um espírito analítico que meu signo revela; aquariana!
Usando-o então é que questiono uma musiquinha bonitinha que todos os anos ouço nessa época de Natal, acho que todos conhecem:
"Quero ver você não chorar", começa ela.
Como assim, não chorar?
E o que faço com a lágrima que queima, que teima, que escorre, que interfere?
Ignoro?
"Não olhar pra trás", continua ela.
E novamente inquiro; - não olhar  para o retrovisor enquanto dirijo a minha vida?
Viver olhando o passado, realmente não é recomendável, mas uma olhadela ou outra é da Natureza,
ou ela não teria me dotado de memória.
"Nem se arrepender do que faz", num convite à psicopatia?
Que a culpa estagna, não há dúvidas. Paralisa. Nos enche de cobranças;  de devias e deverias.
Aliás tenho uma implicância com esse tempo verbal: futuro do pretérito. Pode?
Mas que o arrependimento é saudável, eu não tenho dúvidas.
Aquele "ops, foi mal", é bom. Nos faz rever pontos, conceitos, atitudes.
Reconhecer um equívoco, e percebê-lo como tal corrige.
Alguém já disse; " arrepende-te e vai!
Isso! Isso sim!
"Quero ver uma flor crescer" segue a musiquinha.
Ahhhhh!!!! Eu quero ver muitas, e árvores, e florestas, e a Mata Atlântica preservada, e os jardins por onde ando, e sempre que possível lutarei por isso.
" Mas se a dor nascer, você resistir e sorrir".
Sorrir?
Com dor?
Desrespeitando-a?
Dor merece respeito. Atenção. Cuidado.
Não se empurra a dor pra debaixo do tapete da vida.
Dor é sintoma que precisa ser tratado, curado.
Criar resiliência, substância, consistência, prontidão é outra história.
Todos queremos crescer, e sabemos que crescer dói.
"Se você pode ser assim, bem melhor assim eu vou ser".
No! Eu sou eu, vivo o meu processo, e você aí vive o seu. Certo?
"Se o Natal existe, e ninguém é triste, e no mundo é sempre amor".
Ahhhhhh! Mundo ideal e cruel que nos escancara vicissitudes, feridas, mazelas, incompreensões...
Não! Não é sempre amor, mas dentro de cada um de nós, ele merece ser cultivado, cultuado, nutrido.
E comemoramos o nascimento do amor.
Que Cristo nasça, renasça, cresça dentro dos nossos corações!
"Bom Natal, um Feliz Natal muito amor e paz pra você. Pra vocêêê!!!!

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Orquestração - Parte 4 (FINAL)

Orquestração; Finalizando.



Não sei se esse assunto tem um final, mas termino essas considerações por aqui.
Essa orquestração, esse estado de harmonia e ritmo de que falei, é um estado de equilíbrio entre nossas forças/habilidades/energias, onde cada um desses nossos aspectos conta, e conta muito.
O Ego por exemplo, é necessário para que possamos "com-viver" nos relacionarmos, "com-quistar" nossos espaços profissionais, sociais, afetivos. Precisamos e gostamos de ganhar dinheiro, e o ego abre espaço pra isso. Um ego estruturante, pronto e desenvolvido favorece a atuação de toda orquestra. Soma!
Apreciamos a validação, o elogio, a aceitação do  meio. A diferença está em apreciar e submeter-se, render-se, precisar, depender.
Claro que o mundo mental é importantíssimo, pois é através dele que raciocinamos, refletimos, ponderamos, colocamos na balança nossos pesos, formamos nossas crenças, e muitos de nossos valores. Raciocinar é muito, só não é tudo.
E o corpo, então, com nossos instintos de sobrevivência, defesa, acasalamento, sexo, fome, sede? Como negar sua importância? Sem eles - corpo/instinto - não estaríamos aqui.
E ele tem suas demandas que precisam ser atendidas, pois o corpo do contrário, grita.
Ele necessita de atenção, cuidado, carinho, higiene, prazer, exercícios, trabalho...
Nossas emoções são de sua jurisdição, e precisamos aprender a gerenciá-las, do contrário seremos regidos por elas, e por toda sorte de carência do nosso corpo/instinto.
Nossos feelings, sentimentos, intuição, gosto pela arte, são estímulos que nossa alma nos proporciona. Abandone seus estímulos e sua alma o abandonará e você ficará des-animado, ou des-almado, apático, e sem norte. A alma quando desafinada dos demais setores, alijada do processo de nosso desenvolvimento nos causa doenças.
A síndrome do pânico é causada por ela. A depressão? Idem. E até a gripe e a esquizofrenia.
Mas quem conhece todos os tons, todas as notas, todo processo de nosso desenvolvimento, nosso treino, nosso temperamento, nosso jeito é o Maestro/Espírito.
É Ele que nos rege e se não o acatarmos, se não nos rendermos a Ele, só nos resta a desarmonia, a dor, o desajuste de uma orquestra sem ensaio e no caos.
O Ego regendo a orquestra? Ele não tem condições. Tão pouco nosso aparelho mental.
O corpo? Como vimos não é de sua jurisprudência.
A alma tem o link, o acesso à comunicação, mas apenas e tão só o Maestre/Espírito tem o poder e a habilidade, a destreza, o domínio sobre a Orquestra.
Qualquer conflito é uma contenda entre qualquer grupo da orquestra e o Maestro.
Quando o ego quer uma coisa e o maestro outra; dor, angústia, sofrimento.
Quando o corpo quer algo/alguém que não tem a anuência do Maestro; dor.
Porque apenas e tão somente Ele nos rege.
E desejo que seu conserto/concerto seja maravilhoso!

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Orquestração III

                                                                       
                                                                               O Maestro

O Maestro!
Jung nos diz que Deus aparece pra nós num certo estado de espírito, e nós alcançamos Deus pelo self, que eu traduzo como "O Maestro".
Ler e interpretar a partitura não é fácil.
Disse Bernard Gavoty: “O maior compositor do mundo, se não tiver um intérprete adequado, é como um homem impedido de falar por uma mordaça”.
Para que esse imenso conjunto musical – a orquestra/nós – possa ter expressão, tempo rítmico e harmonia, é necessário o Maestro, para que estabeleça a ordem. Do contrário, cada conjunto de instrumentos atuando separadamente seria a desordem, o caos, o barulho.
O Maestro nos recorda nossa força, nosso poder, nossas habilidades, nossos potenciais, e muitas vezes não é pela inteligência e sim pelo treinamento que muitas vezes produz dor.
Esse Maestro rege todos os grupos de instrumentos;

Aos metais/mental, ele permite a ordenação dos pensamentos e das ideias.
Afinal, todo aparelho mental (a razão, o pensamento, o intelecto) é um instrumento, ou conjunto de instrumentos muito bom.
Como a minha faca de cozinha!
Mas não a estou usando agora, agora uso meu computador.
Nossa mente não é pra ser usada  como nos ensinaram, a todo instante
É o Maestro que com sua batuta ordena: "Agora os metais!"
Mas num mundo onde o pensamento é super valorizado, o uso excessivo desse instrumento nos tem trazido barulho, e não harmonia.

À Madeira/corpo, o maestro mantém a integridade, a regeneração. E sua manutenção é para a execução dessa peça nessa vida.
É o Maestro que dá vida ao corpo e ordena todo seu movimento.

Aos instrumentos da percussão/ego, ele dá o tom exato para que não dominem a orquestra.
Faz com que este grupo tenha seu papel de trazer consciência, e saiba lidar com as questões do mundo, mas que se subordine ao Maestro e não que o suborne.

Quando fui assistir a apresentação da Orquestra de que mencionei no primeiro artigo sobre Orquestração, percebi que o Maestro só cumprimentava o Primeiro Violino e por isso associei as Cordas à Alma, pois o Espírito se comunica diretamente com a Alma e e dela que emana todos os feelings, toda sensibilidade da orquestra.
Na frequência com que nos relacionamos com nosso Espírito, reside nossa Espiritualidade, e é sempre através da alma que esse movimento se dá.
Há pessoas que estão em dissonância com seu Espírito, são apenas regidas pelo instinto, pelo corpo.
Outras, só usam a cabeça, fazendo de sua vida um enorme barulho.
Também há os que só afinam as cordas (alma), esquecendo-se do corpo, do ego, preferindo viver longe do mundo e das pessoasem sua arrogância espiritual.
Há ainda as que confundem esse Ser verdadeiro com o falso eu das aparências do ego.

Há de tudo, assim como há de todo tipo de dor e de doenças/sintomas.
Mas na Orquestração, na Sincronicidade, no Processo consciente de Individuação de tornar-se "Si Mesmo" e viver a verdade de seu Espírito, encontramos a verdadeira paz e sentido de vida, e percebemos a diferença entre Ser, Viver, Existir e suas implicações.

O Maestro nos traz a partitura para a peça da nossa vida e cria todas as circunstâncias para que desenvolvamos nossos potenciais e tragamos à consciência o que está no inconsciente, para que nossa vida se torne música.
E, detalhe importante; ele dá as costas à plateia.
Capisce?

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Orquestração II

Deixei  as cordas que associei à Alma pra essa outra publicação, pois há muito a falar dela.
Esse princípio em nós, ou nosso poder, ou essência ou seja lá o nome que dermos, é sempre algo que não foi bem compreendido durante tempos, e nem agora é.
A Alma foi sempre motivo de controvérsia.
A Ciência se absteve de procurar entendê-la, ou estudá-la porque a procurava de maneira concreta, mensurável e como não tangível, foi ignorada.
 E todo estudo sobre o ser humano foi feito sem referência a ela; ou ignorando-a , ou percebendo-a de forma negligente e precária.
Houve  nessa tentativa de percebê-la concreta  uma  busca de encontrá-la ora no fígado, ora no cérebro, nos rins, nos olhos, no coração...
Mas esse “princípio que nos orienta”, que nos anima e nos movimenta não pode ser situado ou sitiado.
Eu gosto de chamá-la de Mim ( até escrevi um livro sobre Me Mim Comigo) porque a traz mais próxima.
A área de atuação da Alma é nos sentimentos: dons e sensos são de sua jurisdição.
É a alma que domina o senso da ética, nos mostrando o certo e o errado dentro de nossos padrões de indivíduo.
É ela que nos faz perceber a estética com noção de volume, forma, cor, peso e proporção, de harmonia.
Nos dá o senso de responsabilidade nos mostrando pelo quê, ou quem temos habilidade de resolver questões.
O senso de humanidade, de humildade, de compaixão,de dignidade.
A  aceitação do outro vem dela.
A capacidade de relativizar, vem dela.
Só podemos perceber o outro verdadeiramente com a alma, visto que a ideia de outro é meio misturada com nossas ideologias, expectativas, projeções, crenças, desejos...
E nunca é o outro verdadeiramente.
Sabemos que ver com a alma é bem diferente de ver as pessoas apenas com nossos 5 sentidos.
Ela produz estados: de felicidade, bem estar, alegria, mas quando não atendida e negligenciada nos oprime o peito e se continuarmos nesse movimento de ignorá-la ela se vai, e sem ela ficamos
 Des- Animados. Des- Almados, depressivos, desenvolvemos a Síndrome do Pânico, e tantas outras patologias.
Ela é a estrela guia do ego, sem o quê não há bom senso, nem individuação, nem lucidez, nem nada do que está sob seu comando.
Fonte dos sentimentos e ponte entre matéria e espírito.
Nosso GPS, sem o qual ficamos sem rumo, sem norte –DES-NORTEADOS.
Vou continuar nesse tema, pois nem falei ainda o Maestro!
Me aguardem!