quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Basta!




Ando cansada de ver mulheres cansadas.
Cansadas de jornadas insanas de 12 ou mais horas de trabalho, e ainda assim sob olhares ríspidos, hostis, acusadores, manipuladores...
De quem?
Muitas vezes até, de outras mulheres.
Por quê?
Ando cansada de ver mulheres com duplas, triplas jornadas.
Mulheres em frangalhos.
Vilipendiadas.
Humilhadas.
Destratadas.
Desvalorizadas.
Derrotadas.
Frustradas.
Impotentes.
Éramos vítimas de uma sociedade onde não tínhamos lugar.
Não éramos consideradas; não votávamos, não tínhamos alma, grito, força, poder...
Agora?
Bem, agora é igual.
E até quando iremos aguentar?
Pelo quê?
Até quando nos submeteremos, e por quê?
Será que não basta?
O que será preciso mais?
Por que não nos posicionamos?
O que mais tememos?
Acreditamos nos contos que nos contaram?
Acreditamos na inveja do pênis?
Até quando desvalorizaremos nosso útero?
Nós damos cria!!!!!! Damos vida!!!!!
Por que não lutamos pela relativização?
Continuaremos a nos mutilar, cortando fora seios, úteros, sonhos?
Para júbilo de quem?
Sugaram-nos a alma, e nós permitimos.
Cidadãs? Onde?
Temos direito ao voto.
Bom...Nem vou falar sobre isso hoje.
O Patriarcado nos deformou. Parecemos hominhos.
Uauhhhhh!!!!!! Puta conquista!
De vítimas a heroínas.
Do que nos ufanamos?
Carregar troféus não pesa?
Não tenho respostas. Só perguntas.
Que me inquietam. Me absorvem. Me desnorteiam.
Não sei mais o que dizer às meninas-mulheres que me procuram.
Só sei que Basta!

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Rolezinho




Quero falar sobre rolezinhos.
E quero me posicionar como mãe, professora, psicóloga, escritora, cidadã e sei lá mais o quê, que consegui ser na minha vida.
E por querer falar sobre tal assunto, não posso me esquivar de falar sobre LIMITES.
 Me escusem as maiúsculas, mas é compensação por um instrumento dessa magnitude ser tratado em minúsculas.
Percebo que há muito, nossos jovens clamam por limites.
Limites que eles não encontram nas escolas. Se hoje em dia, um professor toma alguma medida contra a indisciplina corre o risco de ser na melhor das hipóteses processado, e na pior: assassinado.
E, mal visto, mal falado, vilipendiado por grande parte da sociedade.
Na minha época havia nota de disciplina. Mas isso foi no século passado...
Limites que eles não encontraram na família, onde tudo pode - tadinhos!
Não conhecem o Não. Não lidam bem com frustrações - tadinhos!
Se encontrarem uma pedra no meio do caminho, não a transformarão em poema, nem em motivação para crescerem, nem esculpirão estátua alguma. Simplesmente atirarão contra vitrines que exponham objetos que eles invejam.
Não encontram limites no trânsito onde ultrapassam de qualquer maneira, passam livremente nos semáforos vermelhos de vergonha, sobem em calçadas, buzinam sem motivo, chutam retrovisores impunemente, saem sem dar setas, compram carteiras...
Não respeitam a Lei do Silêncio ou da Privacidade. Ouvem o que querem, no volume que acham adequado, na hora que melhor lhes apraz.
Não há lei que respeitem.
E agora, mais uma vez não lhes vão colocar limites.
Não?!?
Então será o fim mesmo.
É como há muito eles cantam: Tá dominado! Tá tudo dominado!
E minha paciência esgota-se ao ouvir colegas, pedagogos, filósofos, sociólogos, antropólogos, demagogos falarem que lhes falta.
Falta espaço dizem eles, falta lazer, atrativos...
Como se não houvessem parques, museus, praças, exposições...
Falta Cultura!
Falta sim, EDUCAÇÃO!
Falta LIMITES!
...e é claro que não generalizo: há muitos jovens sendo bem orientados.
Falei e disse!
Como se dizia no meu tempo!

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Polaridades






Muito importante falar sobre polaridades num mundo bipolar.
Sim, nossa mãe terra tem 2 polos e como viemos dela e nela vivemos, não há como não sê-lo.
Somos bi- polares.
O que vai definir nosso equilíbrio é a graduação e a maneira como lidamos com a intensidade dessa questão.
Vivemos nossa vida em busca de equilíbrio, de bom senso, dessa equação que nos resulte em harmonia, paz, tranqüilidade e por que não felicidade?
Tudo depende do empenho na conquista disso tudo.
E um bom começo é lidar bem com essa questão das polaridades.
Jung usava um termo emprestado de Heráclito; enantiodromia – para falar de opostos.
Heráclito exemplificava a questão com um arco e flecha, dizendo que ao puxar a corda do arco em uma direção, lançamos a flecha na direção oposta.
Eu prefiro traçar uma linha:

+__________________O__________________-


Essa linha nos mostra se estamos em um lado da questão, no seu oposto, ou perto da área de equilíbrio.
Segundo Jung, o conflito entre forças opostas inconscientes resulta em neuroses, pois mais cedo ou mais tarde tudo se reverte em seu oposto (como no exemplo de Heráclito, como na balança que empurramos as crianças, com num pêndulo).
A menos que o indivíduo consiga separar-se de seu inconsciente, auto regulando seu ego, ou seja, o processo do auto conhecimento é realmente a solução que nos salva das neuroses e nos ajuda  na busca do nosso eixo.
Quando estamos fixados num tipo de excesso (em uma das pontas da linha que eu tracei), inevitavelmente, mais cedo ou mais tarde, seremos catapultados para a outra, lançados no oposto.
No Oráculo de Delfos havia tanto a recomendação para o “Conhece-te a ti mesmo”, quanto à “Nada de excessos”.
Estar fixado em um excesso, em um dos pólos, além de ser uma situação de risco a ser lançado para o outro lado, é também um lugar não muito confortável para se ficar, pois teremos que ficar defendendo pontos de vista, levantando bandeiras, usando crachás...
No meio, há o equilíbrio.
Já ouvimos isso. Já sabemos disso. Mas teimosamente às vezes nos fixamos em nossos excessos, ignorando nossos sábios ancestrais. Ignorando os sábios do Oriente. Ignorando nossa sabedoria interior.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Psicologia Analítica


 
Meu amor por ele é antigo.
Chegou antes de conhecê-lo! Antes da Psicologia! 
Antes que a crítica do outro me destruísse!
Jung me chegou como uma chuva benfazeja depois de uma estiagem prolongada. 
Como um bálsamo para feridas novas. 
Como salvação!
Acreditava no que me diziam, e me achava tonta, bobinha, distraída (ainda sou...).
Vivia sonhando acordada e o despertar ( sempre por um "acorda Alice!") muitas vezes não era agradável.
Buscava dentro de mim, minhas respostas, meus estímulos, minhas referências - essa era minha viagem!
E mestre Jung me contou que eu era Introvertida. 
O dia em que achei o texto, onde ele explicava a diferença entre atitudes introvertidas e extrovertidas, me senti salva. 
Então era isso!!!! 
Uauhhh!!!
Eu não era Alice!!! ( ou era???).
Amei meu salvador.
E esperei o tempo necessário do amadurecimento pra seguir sua trilha.
E aprendi na Psicologia Analítica de Jung que não precisava de cura.
Que eu não tinha Déficit de Atenção.
Que  minha atenção tinha sim outro foco que não o desejado por minha mãe e professoras.
Aprendi com mestre Magaldi que "sintomas são amiguinhos".
Aprendi que dentre as 4 maneiras de perceber o mundo; sentimento - pensamento - sensação e intuição, algo em mim escolheu o primeiro, e isso exclui a possibilidade de eu ser lógica, racional e tantos quesitos exigidos pelo mundo moderno.
Aprendi que em mim vivem deusas e que Deméter tem um papel fundamental, 
mas que quando surge Afrodite, não mais me escandalizo nem fujo de mim.
Convivo!
Convivo com meus demônios, pois aprendi.
Aprendi que sou muitas e que há conteúdos meus que não percebo a não ser no outro.
E com isso aprendi a dar a devida importância a esse outro que me revela.
Aprendi que tenho um lado masculino que pode alterar minha fala, meu andar, meu humor, minha ansiedade, me tornar obstinada, obsessiva, crítica demais, verborrágica, sarcástica, irônica. Ufa!!!!
Caso seja negligenciado.
 
 
 
 
Aliás, aprendi que nada em mim pode ser negligenciado
 ( Alguém já me advertira: Orai e Vigiai!)
sob pena de infortúnio!!!
Aprendi que transito por Arquétipos 
( padrões de comportamento/sistemas de prontidão que são simultaneamente imagem e emoção e que são transmitidos hereditariamente com a estrutura cerebral como possibilidade herdada de ideias ou ordenador oculto delas).
Aprendi a importância dos símbolos e dos sonhos que são linguagem do inconsciente que por sua vez comanda minha vida, muito mais do que meu ego deseja e quer.
Aprendi muito sobre esse senhor; o ego.
Soube que ele pode se inflar, e eu ficar metida a besta.
E se a isso se juntar algum complexo ( agrupamento de ideias com acento emocional inconsciente), a coisa vai ficar punk!
Esse algo não assimilado e conflitante em mim, esse impedimento, pode também ser um estímulo para que eu me empenhe, desde que conscientizado.
Aprendi pouco, 
 porque Jung era muito sábio e sabido. Um pesquisador incansável. Dono de uma lucidez precoce. 
Eu que não entendo como ele conseguiu compilar tanto conhecimento em uma só vida,
 não vou achar que posso saber muito de Jung...
Pretensão desnecessária!
Inflação de ego! Rs...
 
 

 
Por isso, e por tantos outros motivos te convido à Análise!
Foi a melhor coisa que fiz por mim, e continuo fazendo.
Gasto mais do que no cabeleireiro, mas pretendo achar que fico melhorzinha lá dentro de mim.
Às vezes não é fácil não!
Definitivamente!
Mas também aprendi que não é bacana proteger minhas ilusões.
E assim, dona de mim eu sigo.
Rumo a mim mesma!

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Bendita Desilusão!



                                                                    




Muitas vezes não nos atemos ao sentido e significado das palavras.
No caso dessa; DESILUSÃO o significado é bem claro; Des- Ilusão.
Algo que chega para nos tirar da Ilusão que é uma obnubilação, um embaçamento, uma ausência de lucidez, um empedimento;
 I- lusão.
Nos iludimos todo o tempo, criando expectativas sobre eventos, pessoas, circunstâncias, acontecimentos que não dependem de nossa ação.
Dia desses descobri no jogo de xadrez uma perfeita analogia para os relacionamentos; só podemos mexer em nossas peças.
E quando nutrimos expectativas, muitas vezes, nos enganamos pensando que podemos interferir na vida do outro, do modo que nos satisfaça.
Ilusão!
Sonhamos!
Idealizamos!
Fantasiamos!
E a desilusão nos chega com toda sua carga de verdade, nos arrancando do torpor da fantasia e nos colocando no único lugar concreto onde podemos caminhar rumo ao que é de nosso 
livre arbítrio; 
O Chão!
Não digo que sonhar seja algo nocivo ou negativo.
 Mas o será se não juntarmos realidade e concretude a nossos sonhos.
Se nos deixarmos levar pelos "deverias", "poderias" que não constroem nada a não ser castelos de areia, sofreremos mais tarde o que evitamos hoje.
E mais vale buscarmos, enfrentarmos, vivermos a verdade, mesmo que esta esteja vestida de andrajos do que bailarmos com a ilusão, vestida de brilho de purpurina em tais castelos.
Mesmo porque, mais cedo ou mais tarde a verdade nos visitará.
Se imiscuirá em nossos lençois, rasgará nossos papéis, nossos scripts nos mostrando sua cara sem maquiagem, sem véus e sem máscaras.
Escancarando tudo aquilo de que fugimos.
Um dia chegará a Verdade com sua velha companheira;
A Desilusão.
Urge lidarmos com a vida em toda sua plenitude!
Urge descermos de nossos vôos de Ícaro!
Urge colocarmos nossos pés no chão e caminharmos o caminho possível!
Urge que paremos de nutrir a Ilusão!
E o fazemos quando queremos o resultado, sem o empenho necessário;
Queremos amor sem amar.
Saúde sem vida saudável.
Bons empregos sem disciplina.
Boas relações sem tolerância.
Paz sem ação.
Expectativas sem frustrações.
Ganhos sem perdas.
Dias de sol sem invernos.
Vida longa sem velhice.
Conquistas sem paciência.
Quando não queremos pagar o preço.
Queremos asas de borboleta sem estagiar no casulo.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Homilia


Na missa em Aparecida, na parte da homilia, o Papa disse de três posturas importantes, sobre as quais vou fazer minha leitura. 
A primeira diz respeito à:

CONSERVAR A ESPERANÇA
Que eu creio seja Ficar no Bem.
Não uma Esperança de esperar, mas uma esperança de atuar, participar, agir.
Perceber dificuldades como treinos.
Ver a vida como uma academia onde os "pesinhos" servem para estruturar nossa musculatura, desenvolver nossa força para a sustentação de nosso aprendizado. O suor da "esteira" nos auxilia a que percamos os excessos de fraqueza, desconfiança, ambição, medos, raivas, mágoas e tudo enfim que nos "engorda".

DEIXAR-SE SURPREENDER POR DEUS
Há uma diferença abissal entre estar Preparado (Pré-Parado), e estar Pronto. E deixar-se surpreender por Deus, nessa minha leitura, é desenvolver prontidão: estar pronto para a Vida.
Aceitar desafios, treinos, obstáculos e acordar nossos potenciais adormecidos pela inércia do conforto.
Perceber que todo e qualquer obstáculo só obstaculariza os obstaculáveis.
Desenvolver prontidão frente a Vida é aceitá-la com toda sua grandeza, e deixar-se surpreender pelo encanto dos momentos, sem a precisão da técnica, tal qual nos aconselhou o poeta:
"Navegar é preciso, viver não é preciso, não requer precisão, preparos, técnicas."
Ficar pré-parado é querer controlar a vida e todas as variáveis. É querer que Deus nos sirva, enquanto que desenvolver prontidão é mexer em si. É fortalecer-se.

VIVER A ALEGRIA
É ter Deus dentro - IN THEO - de onde a palavra entusiasmo se deriva.
Tendo Deus dentro, teremos Fé, Coragem e Alegria de viver uma vida plena, pela qual somos responsáveis.

Sábias palavras de uma Papa simples,alegre, cheio de prontidão e fé.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

"O Povo do Rio"


O rio Tietê nasce límpido e cristalino mas no seu trajeto vai recebendo toda sorte de lixo e esgoto.
Eu que amo as metáforas encontrei uma aqui pra dizer das pessoas que vivem numa dinâmica parecida: vivem num rio onde foram jogadas crenças, verdades acabadas, dogmas, conceitos, jeito de agir e pensar, moral, bons costumes e toda sorte de certezas.
E chamo o povo que lá vive de "povo do rio".
Quem me conhece, conhece esse termo.
Embora não precise, mas em tempos de tantas normas, regras e leis, não me refiro aqui aos cariocas, é claro, mas aos rio descendentes.
Poderia também chamá-los de povo da caverna numa alusão a Platão, mas ele já criou a sua metáfora, agora é minha vez,  mas acho interessante quem não conhecer buscar no Google sobre a Alegoria da Caverna, ou na República de Platão, enfim...
Quando eu Miriam me refiro ao povo do rio quero falar dos que estão aprisionados pelas suas crenças, pelo sucesso, pelos tantos crachás que usam, pelos processos grupais, pela busca desenfreada por aceitação, aplauso, elogios, troféus, pelo raciocínio presumido, pelas ilusões.
Presos à própria história, a traumas, e velhas dores.
Povo do rio a meu ver é o povo sem coragem de enfrentamento, de encarar mudanças, de encarar a verdade de si mesmo.
O que encontram no caminho que lhes foi vendida como verdade, compram-na e passam a defendê-la como conquista.
Ás vezes a mascaram, a travestem de brilho e purpurina quando sabemos que muitas vezes é de andrajos que se veste.
Eles andam em bando, pensam em bando, comem em bando, vestem-se com as mesmas penas: anseiam por serem iguais.
Estão aprisionados em suas prisões psíquicas sem perceberem que são portadores da chave.
Mas há um convite.
Convite de nossa alma para abandonarmos esse rio tão poluído pela mesmice, pela escravidão, pelos preconceitos, pela escuridão própria de rios sujos.
É o convite pra ir pra margem onde nos desplugaremos de tudo isso e nos ligaremos a nós mesmos e dessa forma assumiremos toda e qualquer responsabilidade por nossa vida.
Na margem não seremos mais vítimas, mas senhores de nosso destino. Passaremos de objeto a sujeito de nossa oração.
Pareceremos loucos, eu sei, porque não aceitamos que 1+1 é igual a 2, porque muitas vezes não é.
Encontraremos lá a singularidade, a magia, a alegria genuína, a espontaneidade, e perceberemos que a verdade  caminha tranquila beirando o rio.
Mas na margem seremos vistos como marginais pela massa, pelo povo do rio, e tal qual na alegoria de Platão não seremos bem vistos, bem recebidos e muito menos compreendidos.
Quiça nos "matem".
Mas o convite, lembremo-nos nós, veio da alma.
E ninguém pode deixar de ir a essa festa!
Podemos ir para a nascente do rio, e buscar viver na fonte, mas disso eu não sei falar,  porque conheci poucos muito poucos que ali vivem bebendo da fonte todos os dias de suas vidas.